quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Nutrição para crianças especiais

A nutrição para crianças especiais

Falar de alimentação infantil é um grande desafio, falar de nutrição infantil e crianças especiais é um mega desafio, porém resolvi encarar de forma correta, ponderando, ouvindo as queixas dos pais, pacientes e familiares.
Primeiro grande desafio desvendar mitos e verdades destas crianças tão especiais, com uma sintomatologia tão específica ou muitas vezes tão complexa. Avaliar é sempre o melhor passo, avaliar mesmo, anamnese, história clínica, exames físicos, ouvir as queixas trazidas são sempre bom instrumentos para fazer um diagnóstico nutricional, exames são importante? Sim, sem dúvida, mas antes do solicitá-los faça o passo a passo que já citei, valorize seu paciente, suas queixas, tenha um bom ouvido, porém seja seletivo, ouça os pais estabeleça vínculo, inclua esta criança seja no núcleo familiar ou social, sim alimentação passa por vínculos afetivos.
Passada esta primeira, grande etapa, me restou estudar, pesquisar sobre alimentação, sintomas gastrointestinais, obesidade, constipação, distensão abdominal, rituais alimentares, Transtorno de PICA, entre muitos outros, hora quão complexos e fantásticos são estes seres, que muitas vezes repudiam uma fruta e colocam-se a degustar o zíper de minha bolsa, sim o zíper de minha bolsa, como se este fosse um alimento dos Deuses, é atender estas crianças significa estar atenta sempre, o mínimo descuido pode ser bem grave. Isso eu estendo ao manejo nutricional, ou você sabe tratar ou por favor encaminhe para quem sabe, são crianças que precisam de atenção especial, são famílias que precisam ser inseridas novamente na sociedade, na escola, no meio social, este também é o papel da Terapia Nutricional.
O comer é um ato social, tomar chimarrão, é um ato social, receber um convidado para jantar também é um ato social. As vezes, me questiono, quando vejo pais alimentando a criança especial antes do horário estipulado para toda a família, geralmente torna-se mais fácil, mas notem que a exclusão se inicia na própria casa, onde nem mesmo os pais colocam esta criança à mesa, pois são mais “birrentos”, sentem náusea ao olhar um alimento novo, terão uma crise de diarréia no meio da refeição, e desta forma seguem as desculpas, para não incluir esta criança as refeições coletivas da casa.
Nesta caminhada enfrentei obstáculos como notam em minha fala anterior já no próprio núcleo familiar, então o trabalho da terapia nutricional estende-se além da criança especial, inicia na família, estende-se aos amigos e as colegas de escola, depois passam ao passo de que dieta prescrever para estes seres incríveis e tão especiais.
Rita Cherutti-Nutricionista, especialista em Psicologia, atende crianças especiais (Autistas, TGD, Síndrome de Down). http://nutricionistaritacherutti.blogspot.com/

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